sábado, 27 de novembro de 2010

O apanhador de desperdícios


 Uso a palavra para compor meus silêncios.
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
às que vivem de barriga no chão
tipo água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas
Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimportantes.
Prezo insetos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que a dos mísseis.
Tenho em mim um atraso de nascença.
Eu fui aparelhadopara gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios:
Amo os restos
como as boas moscas
.
Queria que a minha voz tivesse um formato
de canto.
Porque eu não sou da informática:
eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor meus silêncios.

***
do poeta Manoel de Barros

sábado, 13 de novembro de 2010

A música, poesia e filosofia de Paulinho Moska

1 hora de entrevista com Paulinho Moska na Cesta de Música da rádio CBN.


sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Amadurecimento


“A terapia literária consiste em desarrumar a linguagem a ponto que ela expresse nossos mais fundos desejos”. Ô poeta Manoel de Barros...
Porque é tão difícil olhar para aquilo que está próximo de nós? Será por conta do convencido ou porque nosso olhar já está acostumado com o perto? É. Eu tenho aprendido tanto com perto. O perto a que me refiro é o meu imo.
Escrevo isto por causa do meu olhar para os outros [que estão perto de mim]. Vezes julgador, acusador e/ou convencido de que são todos sem noção. O cativar não é uma tarefa fácil para mim e para muitos, acredito. É uma das atividades afetuosas mais complexas, pois, têm de se fazer com todos e sem ressalva.  

E o poeta Manoel de Barros entra nessa história justamente porque ele é de perto; e foi me apresentado por uma professora muito digna do olhar de perto. Quando li Manoel: “com pedaços de mim eu monto um ser atônito”; entendi o constituído da maturação, ou seja, do amadurecimento.
O fermento do amadurecimento é constituído do conhecer mais o outro e acima de tudo respeitá-lo, dar-lhe atenção, ser generoso, ser amável, enfim saber mais do outro, mas sem ser indiscreto com a história dele, seja ele quem for...
Dicas: seu amigo (a), um músico, uma faxineira, o padeiro, sua mãe, um colega de trabalho, um padre, uma garota da esquina, um político, [também], seu terapeuta, uma criança, o seu médico, o poeta... E por aí vai...
Mas, de todos acima citados, há um que não referi; e é o que mais recomendo: Deus! Pois Ele se resume a tudo e a todos.
[É como um travesseiro. Meu travesseiro nunca falou comigo, mas eu sim, já falei comigo mesmo, por meio do meu travesseiro. entende.]

sábado, 6 de novembro de 2010

A harmonia das cordas

"As cordas trazem para a música melodia e canção, pelos seus sons a existência se torna mais leve".
Por Eduarda Rosa

Cordas. Como pensar na vida sem elas, ao nascermos estamos presos a um cordão umbilical, quando crescemos um pouco nos embala nos brinquedos, no circo garante equilíbrio ao artista e  “na música ela está presente / trazendo a felicidade, / prá alma sofrida da gente / com acordes bonitos, dolentes, / de violões e violinos plangentes”, como diz a poesia de um autor que se esconde pelo pseudônimo de “frevo & jazz”. Mas tudo isso é música, arte, e pessoas vivem dos sons que essas cordas emitem.

Alice Fernandes, estudante de jornalismo, douradense, do estado de Mato Grosso do Sul, aprendeu aos 13 anos, com seu irmão, o que as cordas do violão queriam dizer. A ajuda de um tio e a persistência fizeram com que ela aprendesse praticamente sozinha a desvendar a “alma de seu amante”, seu violão, como ela mesma define, "o meu violão é como se fosse um amante,  onde é  a partir dele que eu tenho momentos particulares, é onde eu sinto Deus através dele”.

Alice conseguia viver de música antes de iniciar a faculdade, tocava em restaurantes e bares, mas escolheu a vida de estudante e deixou a música, um pouco de lado, mas ela (a música) sempre estava ali. Até conseguiu um emprego na Secretaria de Cultura de Ponta Porã, cidade fronteira com o Paraguai, onde teve aulas de saxofone e ajudava nas aulas de violão para crianças. Mesmo tentando fugir de seu talento, não conseguia, assim resolveu se inscrever no I Prêmio Divas da Música Brasileira, e para sua surpresa, ficou entre as três primeiras colocadas.

São nos momentos de paz que Alice, junto ao seu violão, compõe suas letras e melodias, e as cordas representam a sua essência, “tudo aquilo que eu tento exalar é a partir dali, é como se saísse de dentro de mim, é toda a minha essência que sai ali naquele volume, naqueles sons, é a essência da minha vida que sai ali no som das cordas”. Foi em um desses instantes que Alice deu uma nova vida, mesclando no ritmo da MPB, à música “Tocando em Frente” de Almir Sater, cantor sul-mato-grossense, que deu a ela a oportunidade de ser finalista do prêmio Divas. 

Confira a música, Tocando em Frente, interpretada por Alice, para o I Prêmio Divas da Música Brasileira: http://www.divasdamusica.com/finais.php?id=562

Alice conta que a maior experiência que trouxe do prêmio é de que daqui para frente terá que levar a sério música, “pois dos cinco jurados, entre produtores, músicos e compositores, três que votaram em mim estão insistindo comigo, falando: 'não desista, não deixa isso esfriar, monte um grupo, comece a trabalhar suas músicas para você mostrar na sua cidade, depois no seu estado’, já tenho um projeto de apresentar até o final desse ano, 17 músicas de autoria própria”.  
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